Concreto Branco - Carlos Campos

Panorama Internacional

Tem-se noticias da fabricação do cimento branco desde 1887. Em 1966 foi construída uma passarela de pedestres sobre um dos braços do Rio Reno, próximo a Wiesbadem, Alemanha, utilizando cimento branco. Em 1972, afirmava-se, na Alemanha, que a aplicação do cimento branco estava no auge. Em 1973 criava-se em Paris uma associação, sem fins lucrativos, BETOCIB, Béton de Ciment Blanc, Associação para a promoção da arquitetura em concreto de cimento branco, composta por arquitetos, projetistas, produtores de insumos e fornecedores de agregados. Distribui boletins técnicos e recomendações para execução de obras com o uso do cimento branco.

O concreto estrutural branco está sendo utilizado em vários países. Nesse sentido a Espanha tem hoje o maior conjunto destas obras, talvez em função da notoriedade alcançada pelo arquiteto Santiago Calatrava que se valeu desse tipo de concreto em combinação com o aço, na forma de chapas dobradas ou curvas, pintadas de branco, na concepção de diversos edifícios e monumentos em vários países e especialmente no projeto da Cidade das Artes e das Ciências, em Valência. Salienta-se que Gaudi, em Barcelona, no início do século passado, criou os pilares da Sagrada Família, na forma de arvores, idéia adotada por também por Calatrava no projeto Cidade das Artes. Atualmente as obras de conclusão da Catedral Sagrada Família estão em andamento e se usa o cimento branco para se conseguir as tonalidades de rochas claras no concreto dos pilares e teto da nave central.

Como tópico de entrada nesta abordagem, deve-se salientar que se são muitas as patologias no concreto cinza, em se tratando de concreto aparente branco, a vulnerabilidade para alterações na aparência são muito maiores. Qualquer sombra ou reflexo da armadura, que aparece por deficiência do cobrimento, princípio de corrosão ou alterações na capacidade de absorção de água, provoca alterações na aparência.

L'Arc de la Defense, em Paris, verdadeiro monumento arquitetônico, onde foi utilizado o concreto de cimento branco e, apesar de ser uma obra recente e de se ter usado um concreto de alto desempenho, os focos de corrosão já são evidentes.

Em Portugal também há um grande conjunto de obras em concreto branco, influências do arquiteto Álvaro Siza. No espaço da Feira Internacional de Lisboa, podem-se ver vários edifícios com o uso do cimento branco e o resultado é um concreto não tão branco, quase no tom pastel. Ainda em Portugal, na Cidade do Porto, esta em obra, um magnífico monumento em concreto branco, trata-se da Casa da Música, também com sérios problemas de manchas e a presença de juntas de concretagens indesejáveis ao longo dos grandes painéis das fachadas externas. Os reparos com novas concretagens podem apresentar colorações diferentes.

Nos Estados Unidos também é grande o uso do cimento branco, principalmente em obras com pré-moldados e fachadas compostas com materiais leves revestidos com pastas de cimento branco. O uso do cimento branco foi determinante na execução da nova Catedral de Los Angeles para se conseguir a cor de adobe das construções hispânicas . Há também grande emprego na Colômbia e no México. No Japão pode-se citar o Monumento de Maala, em Osaka, duas colunas em concreto branco com 21 metros de altura.

Um bom resultado quanto aos aspectos de brancura e uniformidade visto até o momento, é na Igreja de Deus Pai Misericordioso ( Dives in Misericórdia ), Le Vele , inaugurada em novembro de 2003, em Roma. O ponto alto do projeto são três velas, (conchas), em peças pré-moldadas de concreto branco, com agregados graúdos e miúdos provenientes da britagem do mármore branco da Região de Carrara. Realmente o projeto tem harmonia e beleza plástica. Como nas demais obras, esta também apresenta patologias e problemas de gretamentos (fissuras) evidentes.

Interessante é o viaduto de acesso ao Aeroporto de Malpensa, em Milão, este viaduto inspirou a construção de uma ponte de arquitetura semelhante sobre o Rio Itajaí no centro de Brusque, Santa Catarina, Brasil. A obra na Itália mostra as trincas, aparentemente de retração do concreto e a pintura branca, indicando que o branco original foi substituído pela pintura.

Concreto Branco no Brasil

A tradição brasileira, provavelmente vinda da experiência italiana, usa o cimento portland branco, primordialmente na execução de pisos, moldados no local (granitina ou granilite), o ladrilho hidráulico, ou o piso pré-moldado (duas camadas) do tipo “marcopiso”. Grandes áreas pavimentadas, como shoppings e redes de supermercados, consagraram o uso deste piso, geralmente com a tonalidade clara. A origem das máquinas que produzem as peças vibro-prensadas deste tipo de pisos, em uso no Brasil, é italiana. Outra aplicação consagrada do cimento branco é a elaboração de argamassas coloridas para rejuntamentos cerâmicos e revestimentos do tipo “fulget” aplicados em paredes.

Têm-se notícias, também no Brasil, de insucessos na execução do concreto de cimento branco. No início dos anos 80, fez-se um monumento, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, projeto do arquiteto Oscar Niemayer, com a intenção de ser uma obra em concreto branco. Quando o arquiteto viu a obra pronta, durante as solenidades de inauguração, não gostou da aparência, e exigiu que a mesma fosse revestida de mármore branco, como está atualmente.

Além do cimento portland branco alguns países fabricam, inclusive o Brasil, o cimento aluminoso branco. A utilização deste tipo de cimento é restrita em diversos países para uso em estruturas além do que este material é pouco resistente ao ataque por sulfatos . Fábricas de cimento portland branco não são muito comuns. As marcas mais conhecidas comercialmente no Brasil são: PINGÜINO (Argentina), CBR (Bélgica), CAUÊ e IRAJÁ (Brasil), DELNARI (Colômbia), AALBORG (Dinamarca), LAFARGE (França) e TOLTECA (México), alem das fábricas de Portugal, Itália, China e outras.

Se a cor cinza do cimento comum pode limitar a criatividade dos arquitetos em acabamento de concreto aparente, o cimento branco abre espaços para apresentação de um novo campo de uso do concreto aparente. Por outro lado, o preço do cimento branco pode ser até três vezes mais caro que o comum cinza . Realidade que está mudando no Brasil, após o incremento do uso do cimento branco nacional.

Leia artigo completo - Fonte: Carlos Campos Consultoria e Construções Ltda